
De Victoria ao Soho dizendo "see you soon,
London"

A saída de Londres é sem grandes despedidas da cidade. Exatamente como a gente faz quando deixa de ler a última página de um livro que gostou muito na tentativa de fazer com que ele não acabe nunca. Seguindo a tradição inglesa, o balanço do ano vivido aqui vai em forma de lista.
O que eu conseguiEntender o present perfect
Nadar no Mar Mediterrâneo: na França, na Espanha e na Grécia
Ter um
oyster e andar de black cab pelo menos uma vez
Me acostumar a passar na faixa de pedestre com confiança total
Gostar de café gelado
Fazer piquenique no parque, sentar na grama
Ter meu lugar preferido no ônibus,
cinema preferido,
pub preferido,
livraria.
Pegar metrô, ônibus e andar sem precisar olhar o mapa
Comer comida vietnamita, tailandesa, coreana...
Pegar intimidade com o Guardian/Observer, Independent e Financial Times
Passar um ano sem espelho de corpo inteiro e sem televisão
Cozinhar num fogão que não sai fogo
Perder o preconceito contra vinho rosé
Ver graça em churrasco inglês
O que eu não conseguiAchar que shower gel é mais eficiente que sabonete
Entender fish and chips, baked beans
Achar algum inglês que me explicasse a escala da pontuação de tênis
Saber como se diz "calorento" em inglês
Falar "cheers" em vez de "thanks" e "wicked" em vez de "great" sem me achar ridícula
Não ter vergonha e fazer topless numa praia européia
Ir à academia mais de três vezes por mês
Enjoar de carne de carneiro
Chegar a uma conclusão sobre como se agrupam os algarimos nos números de telefone daqui
Me acostumar com ordem alfabética por sobrenome (e não pelo primeiro nome)
Entender por que inglês esconde a geladeira dentro de um armário
Dominar completamente a lógica de day travelcards e passes de ônibus, metrô e trem
Me despedir de amigo sem chorar (mesmo que escondido, depois)
Deixar de olhar o Tâmisa da Waterloo Bridge, com o Parlamento emoldurado pela London Eye e falar baixinho: "Pqp! Que cidade é essa?!?"